Recém-graduados menos interessados em ingressar na função pública
8 Jun, 2026
De acordo com um inquérito realizado pela agência de recursos humanos “MSS Recruitment e Hello-jobs”, os recém-formados demonstraram este ano menos interesse em trabalhar na função pública. Factores como vagas limitadas, concorrência renhida e exigências mais elevadas afastam-nos da Administração Pública, além da “falta de flexibilidade”. Os sectores bancário e financeiro são agora os preferidos
CATARINA PEREIRA
Os recém-graduados estão menos interessados em ingressar na função pública, de acordo com um inquérito feito pela agência de recursos humanos “MSS Recruitment e Hello-jobs”, que este ano inquiriu 32 empresas de Macau e 133 licenciados. De acordo com os resultados, 50% estão disponíveis para trabalhar no sector bancário e financeiro, 33% preferem o sector do jogo e hoteleiro e 27% pretendem trabalhar na Administração Pública.
Segundo a agência, desde o início da recuperação económica, estas três áreas têm-se destacado como as preferidas dos recém-graduados, com a função pública a ocupar sempre o primeiro lugar. Contudo, este ano, a primeira posição foi ocupada pelos sectores bancário e financeiro, que subiram 15 pontos percentuais, mostrando que “os recém-graduados estão cada vez mais interessados em sectores relativamente estáveis e orientados para as qualidades profissionais”.
No inquérito levado a cabo no ano transacto, a percentagem de recém-graduados interessados em trabalhar na Administração Pública foi de 48%. Segundo os inquiridos, o interesse baixou porque estão preocupados com factores como as vagas limitadas, a concorrência renhida e as exigências mais elevadas. Por outro lado, alguns consideram que, além de ser mais difícil ingressar na função pública, outro problema pode ser a “falta de flexibilidade”. Daí que prefiram “áreas comerciais mais flexíveis e com maior espaço de desenvolvimento”.
Em termos do nível salarial, aumentou a diferença entre o salário desejado pelos recém-graduados e a remuneração inicial proposta pelas empresas, de 2.000 patacas, no ano passado, para 3.000 este ano.
Cerca de 17% das empresas propuseram salários entre 12.001 e 13.000 patacas, com algumas a mostraram-se disponíveis para adoptar aumentos e outras a optar pelos cortes. No ano passado, a maioria das inquiridas propôs um valor entre 11.001 e 12.000 patacas e entre 13.001 e 14.000 patacas, 25% e 29%, respectivamente.
Por outro lado, a percentagem das empresas que querem adoptar um salário inicial entre 16.001 e 17.000 patacas baixou de 14% para 9%. Para a agência, o cenário mostra que, no contexto da falta de clareza na perspectiva económica, as empresas assumem geralmente uma atitude relativamente conservadora em relação aos salários.
Quanto aos recém-graduados, no ano passado, apenas 2% desejavam um nível salarial entre 14.001 e 15.000 patacas. Este ano, cerca de 20% apontam para 15.001 patacas a 16.000 patacas. “Isso mostra que passaram a ter expectativas mais altas”, refere a “MSS Recruitment e Hello-jobs”. A agência considera que os recém-licenciados podem estar mais confiantes no seu próprio valor ou mais preocupados com o aumento dos custos de vida.
Segundo o inquérito, além do grau académico, as empresas também valorizam a experiência de trabalho e o desempenho na entrevista, por outro lado, 35% consideram que “ter experiência na utilização de ferramentas de IA” pode ser uma vantagem.
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